São Paulo, 16/05/2014 – Acompanhando os noticiários podemos perceber alguma relação entre a violência e o uso de drogas. Costumamos ter notícias, por exemplo, sobre o fim trágico de adolescentes, jovens e adultos associados ao tráfico de drogas, ou sobre casos de violência doméstica em que o agressor está sobre o efeito do uso de álcool. Nestes dois exemplos, o consumo de drogas aparece como um fator que antecede a violência. Contudo, o II LENAD (segundo Levantamento Nacional de Álcool e Drogas), desenvolvido pelo INPAD (Instituto Nacional de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas) da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo) e financiado pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), levantou dados interessantes sobre uma outra relação entre violência e uso de drogas.

“Estudos epidemiológicos mostraram associação positiva entre a exposição a abuso físico e psicológico na infância e desfechos negativos na saúde física e emocional na vida adulta, sustentando a hipótese de que experiências adversas precoces podem levar a um aumento significativo da predisposição a depressão e, principalmente, ao uso problemático de substâncias psicotrópicas na vida adulta. Nossos dados corroboraram essa hipótese, uma vez que as taxas de prevalência de consumo de substâncias entre as vítimas de violência precoce são significativamente superiores às da população geral. Observa-se, por exemplo, que mais da metade dos usuários de cocaína e mais de um terço dos usuários de maconha foram vítimas de abuso infantil.” diz o relatório dos resultados parciais do II LENAD, na seção sobre violência contra criança e adolescente . É possível, portanto, que um dos impactos da violência sofrida na infância seja o consumo posterior de drogas, pelas vítimas, na vida adulta.

Outros dados apontados pelo II LENAD:

– Adultos vítimas de violência precoce têm duas vezes mais chance de ter tentado suicídio;

– No que diz respeito à exploração sexual infantil, mais de 1% da amostra relatou já ter recebido dinheiro para fazer sexo antes dos 18 anos de idade, o que representa em proporções a mais de um milhão de brasileiros. E ao contrário do esperado, a prevalência da prostituição precoce entre meninos (1.6%) foi maior que entre meninas (1%).

– Quanto à violência sexual na infância e adolescência, o levantamento mostrou que mais de 5% da população adulta (maior de 18 anos) relatou ter sido vítima de abuso sexual (na infância e/ou na adolescência), representando cerca de 5 milhões e meio de brasileiros adultos. O abuso de meninas (7%) foi mais alto que o de meninos (3.4%). Esta prevalência está acima das estimativas advindas de estudos anteriores, o que provavelmente se deve ao fato da coleta de dados do II LENAD ter sido feita de forma fechada e com sigilo absoluto, e não em base de dados de denúncias ou serviços de saúde.

Dados como estes nos chamam a atenção para a necessidade de Quebrarmos o Silêncio no combate à violência.

Fonte:

http://quebrandoosilencio.org/